AcórdãoTJMG5021199-39.2023.8.13.0231
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUXÍLIO-ACIDENTE - ARTIGO 86 DA LEI Nº 8.213/91 - ACIDENTE DE TRABALHO - FRATURA DO PLATÔ TIBIAL DIREITO - SEQUELAS - LAUDO PERICIAL JUDICIAL - AUSÊNCIA DE REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA - REQUISITOS LEGAIS NÃO PREENCHIDOS - SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA - CUSTAS E HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS - ART. 129, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 8.213/91 - ALTERAÇÃO DA SENTENÇA, DE OFÍCIO. O auxílio-acidente é um benefício de natureza indenizatória devido ao segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução, ainda que mínima, da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, nos termos do artigo 86 da Lei nº 8.213/91. Para a concessão do benefício, é indispensável a comprovação de três requisitos cumulativos: a) a qualidade de segurado à época do acidente; b) a ocorrência de um acidente de qualquer natureza; e c) a redução parcial e permanente da capacidade para a atividade laboral habitual, decorrente das sequelas consolidadas. Apesar de o julgador não estar estritamente vinculado ao laudo pericial, conforme o artigo 479 do Código de Processo Civil, a prova técnica produzida em juízo, sob o crivo do contraditório, constitui o principal meio de prova para a verificação da incapacidade ou da redução da capacidade laboral. No caso concreto, o laudo pericial judicial foi conclusivo ao atestar a ausência de redução da capacidade laborativa do autor para sua atividade habitual de motorista, afastando restrição funcional, necessidade de maior esforço e redução permanente da capacidade para o trabalho. A tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo 416, segundo a qual o benefício é devido ainda que mínima a lesão, não se aplica quando a perícia técnica constata a inexistência de qualquer redução da capacidade de trabalho, afastando um dos requisitos essenciais para a concessão do auxílio-acidente. Diante da ausência de provas que infirmem a conclusão pericial, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido é medida que se impõe. Em se tratando de matéria de ordem pública, cabível a alteração da sentença, de ofício, para extirpar a condenação da parte autora ao pagamento das custas e dos honorários sucumbenciais, nos termos do art. 129, parágrafo único, da Lei nº 8.213/91. Recurso a que se nega provimento. Sentença alterada, de ofício.